Como aprende a criança pequena
Durante os seus primeiros anos de vida, a criança tem que aprender muitas coisas, tais como andar, falar, comer e beber, pedir para fazer as necessidades fisiológicas, vestir-se, lavar-se, escovar os dentes, guardar a roupa e os brinquedos e tudas as actividades do dia-a-dia.
A criança que se sentir satisfeita ao fazer alguma coisa, desejará tornar a fazê-la, por onde se vê que o sentimento de satisfação é importante factor na aprendizagem. A criança sente grande satisfação em ser objeto de atenção dos outros. Um sorriso, um aceno da cabeça, uma expressão de aprovação, um simples “Muito bem” geralmente bastam para satisfazê-la. Não lhe dando porém, a devida atenção quando se julga merecedora, poderá procurar obtê-la a outras custas. Poderá mesmo preferir ser castigada a não receber atenção dos outros. Estes aspectos são um valiosos elemento para a mãe que deseja ensinar bons hábitos aos filhos.
Aprender pela experiência
O que a criança vê, ouve, ou sente, cada dia, serve-lhe de experiência para ampliar progressivamente o seu mundo, e assim ela vai se desenvolvendo. Quando já sabe andar, sua experiência aumenta a passos mais rápidos. Quer ver tudo e em tudo quer tocar. E é por esse meio peculiar que vai aprendendo.
Na medida do possível, a criança deve aprender fazendo, e é de surpreender quanto pode aprender assim. Certa vez, um menino de dois anos recebeu um livro infantil lindamente ilustrado. Seus pais lhe ensinaram que deveria ser tratado com carinho e virar as paginas com cuidado. Para admiração deles, passando dois meses, o livro não apresentava nenhuma folha rasgada, embora o garoto o tivesse usado quase todos os dias.
A criança deve passar a maior parte do tempo em lugares onde possa bulir, para que não necessite ouvir constantemente expressões como estas: “Não mexas”, “Tira a mão dai”, “Sai,sai,sai”.
A casa deve estar aparelhada de maneira a não haver ao alcance da criança muitas coisas em que não se lhe permita tocar, por se quebrarem facilmente ou custarem caro.
Como jamais pensariamos em tolher as pernas das crianças para que não pudesse andar, também não devemos tolher-lhe o intelecto com muito repetido “Não faças isso”. Devemos perguntar-nos a nós mesmos: “Digo isso porque a criança está fazendo alguma coisa que eu deva reprimir ou meramente porque eu tenha o hábito de dizê-lo?”
Aprendendo por perguntas
A criança deve ser ensinada a não interromper os mais velhos, mas as suas perguntas não devem ficar sem resposta. Pode-se dizer-lhe: “Quando acabar de falar, responderei às tuas perguntas”.
A criança que pergunta continuamente não deve ficar sem atenção, mas pode ser estimuladas a responder as suas próprias perguntas. “Vai ver o que o papai está fazendo, vê se podes perceber o que vou preparar para o almoço”, “vê se podes encontrar o teu caminho em baixo da tua cama”, são expressões que a mãe pode usar como meio para encorajar a criança a resolver seus proprios problemas e a obter respostas às suas próprias perguntas, que nunca deve ser abafadas com um “cala a boca”.
Aprendendo pela imitação
Quase tudo que a criança faz, fá-lo por haver visto alguém fazê-lo. Poderá comer com gosto ou recusar alimentos se vir outras pessoas fazerem o mesmo. Recebendo tapas, aprende a dar tapas; ouvindo mentiras, aprender a mentir. Se a filha vê a mãe fazendo trabalho doméstico, logo quererá cozinhar, lavar e enxugar a louça, arrumar as camas, varrer a casa, etc; se o filhovê o pai lidando com horta, logo agarrará alguma ferramneta e começará a trabalhar na terra.
Os filhos são o espelho dos pais. Os hábitos, os gestos, o modo de falar, são coisas que a criança adquire vendo e imitando os pais.”Obrigado”, “Faça o favor”, “Queira me descupar”, são termos empregados pela criança que houve expressões da boca dos pais. Se você escuta a conversa de seu filhinho e lhe observar os modos, nele você perceberá um reflexo da sua própria pessoa – as mesmas palavras, as mesmas frases que emprega, sejam elas de cortesia, de grosseria ou de ira; a mesma entoação da voz; os mesmos gestos; etc.
Dê à criança tempo para aprender
Tempo e paciência são duas coisas que não podem faltar aos pais que querem ensinar a criança a fazer as coisas por si mesma. Pode ser que mãe tenha corrigir a Esterzinha centenas de vezes por calçar o sapato trocado do pé esquerdo com o direito. Pode ser que o pai tenha que sentar-se para atar muitas dezenas de vezes os sapatos de Paulinho, antes que ele aprenda a atá-los sozinho. Não se deve apressar a criança pequena a aprender, nem forçá-la a prosseguir quando cansada. “Tu atas esses sapato e eu ato este”, são palavras que animarão o principiante entregue a seus esforços. Não se deve criticar a criança, chamando-a de “lesma” ou “lerda”, nem se deve censurá-la por cometer erros.
Pais: tomai tempo e paciência para fazerdes vossos filhos aprender as primeiras lições práticas da vida.
